sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Influencias do Hip Hop

O movimento Hip-Hop tem ganhado cada vez mais destaque no Brasil e atraído muitos jovens, especialmente aqueles que moram nas periferias. Isso ocorre por que o Hip-Hop é um movimento que pauta-se pela denúncia da exclusão social e pela discussão de questões relativas à história e à identidade dos negros. Formado por três elementos - o rap (música), o break (dança) e o grafite (desenho) - ao chegar no Brasil ele foi influenciado pela cultura local e adquiriu novos traços e novas formas de manifestação. Em parte, por causa da influência cultural local, o Hip-Hop brasileiro diferencia-se do norte-americano. Os rappers brasileiros costumam criticar a música norte-americana, segundo seu ponto de vista, os rappers americanos banalizaram o movimento e fazem com que os jovens queiram mais um tênis da Nike á seus direitos.Sua popularidade se deve ao fato de ser um movimento enraizado nas experiências de jovens e pessoas que vivem na periferia, além de ser muito organizado. "As histórias do rap são histórias fictícias ou reais de pessoas que vivem na periferia, baseadas na vivência na periferia. Para elas, o Hip Hop é uma forma de resistência e mudança da realidade".

No Hip Hop brasileiro, exclusão social e preconceito racial são evidenciados, HIP-HOP, ação social, melhoras sociais


Nos presídios, os rappers são muito populares. Por causa das letras politizadas, que falam da realidade exclusão social e do preconceito de cor, um show de rap dentro de um presídio não é um show qualquer, mas uma manifestação político-social.
Foi isso o que aconteceu em uma visita do famoso rapper Mano Brown, do Racionais MC, em junho de 2003, na Febem do Brás, em São Paulo, mostrando a força do Hip Hop como movimento de emancipação social. Os detentos sabiam todas as letras e se identificaram com as músicas do rapper.

Além de buscar a construção de uma identidade negra, que se posiciona fortemente contra o preconceito de cor, é dada também ênfase ao marginalizado que vive na periferia. "Para o Hip Hop, marginalizado é quem vive na periferia. O que une é a desigualdade social, e a maioria é negra" explica Magro. "Tanto os brancos quanto os negros tem sua auto estima melhorada dentro do movimento e se identificam através da exclusão social. ", complementa.
A militante Rodriguez reforça a idéia de busca por igualdade. "Tentamos nem tocar nesse negócio de negritude, branquitude, essa fita toda, porque o Hip Hop quer atingir uma classe social, é para os desfavorecidos". Entretanto, Cibele salienta que o movimento busca através das várias formas de expressão evidenciar o histórico dos negros no Brasil. "É importante que todos entendam que os negros são excluídos porque foram escravizados".
Hip Hop brasileiro é diferente do norte americano

Apesar de existir uma tendência de apropriação de alguns símbolos de uma cultura negra internacionalizada - como as roupas - dando a impressão de um movimento globalmente mais uniforme, as muitas diferenças que separam brasileiros e norte-americanos ajudam a determinar, no Brasil, um Hip Hop diferenciado. Os próprios militantes brasileiros consideram o Hip Hop nacional como um movimento muito mais crítico e politizado que o norte-americano.
"O break, por exemplo, tem muita semelhança com a capoeira, como já observaram os militantes do Hip Hop norte americano", afirma Magro.
Devido à influência cultural brasileira no movimento, só o Hip Hop brasileiro tem rap com um pouco de samba, break parecido com capoeira e grafites de cores nitidamente mais vivas. Segundo a pesquisadora, essa mistura com elementos brasileiros é motivo de orgulho para o Hip Hop brasileiro, que tende a uma valorização crescente dos elementos nacionais em um movimento importado dos EUA.
O Samba que influenciou o Hip Hop brasileiro

Toda a música brasileira é influenciada, de uma forma ou de outra, pelo samba, que é definido por alguns historiadores como uma dança típica brasileira originada do batuque africano.O sambista Bruno Ribeiro, compositor e integrante do Núcleo de Sambistas e Compositores do Cupinzeiro, afirma que o negro é a base do samba brasileiro. "Sem o negro, o samba não existiria. O aparecimento do samba está associado às comunidades negras, sejam na Bahia ou no Rio de Janeiro"

Por razões históricas, e da mesma forma que o Hip Hop, o samba ainda é uma manifestação cultural vista com preconceito "Os brancos, a princípio, tratavam o samba como caso de polícia. No começo do século passado, os negros não podiam cantar e dançar dentro de suas casas. Muito negro apanhou de polícia porque o samba era proibido ou severamente reprimido. Era associado à feitiçaria ou à perturbação da ordem pública. Até hoje esse preconceito sobrevive na cabeça da elite brasileira", diz Ribeiro. Como no Hip Hop e em outras manifestações culturais brasileiras, o samba além de negros, tem também muitos brancos, como o genial Noel Rosa "Mas a base de suas referências culturais, contudo, é negra", lembra Bruno.
Segundo o sambista, o papel dos negros no samba, atualmente, é muito importante. "É preciso recuperar e preservar sua história dentro do samba, pois a indústria cultural, a partir do momento em que investe na criação de um gênero pop, batizado de "pagode", tira toda a essência que havia no samba para torná-lo palatável a uma classe média consumidora e transformá-lo em mercadoria", adverte. "Creio que o papel do negro, hoje, é estudar o seu passado e defender as suas tradições, negando-se a vender a história de seu povo por promessas de dinheiro e de fama. O papel dos brancos que fazem samba é também lutar em defesa dessa cultura, afinal, somos todos brasileiros e o samba pode ser um grande unificador nacional".
Na opinião de Ribeiro, gêneros musicais como o rap e o samba não são incompatíveis "Se você for em qualquer periferia do Brasil vai ver que os caras que gostam de rap costumam fazer roda de samba no boteco da esquina, quando chega o fim de semana. Não dá para falar em samba apenas como produto musical. O samba é, antes de mais nada, o encontro da comunidade, nasce quando um grupo de pessoas se reúne em torno de uma mesa para cantar e tocar, enfim, para partilhar alegria".

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Por favor escreva comentários pertinentes e construtivos.
Obrigado por comentar!