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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Terceira fase do modernismo no Brasil

Contexto Histórico e Cultural

Em 1945 houve o término da 2° Guerra Mundial. Milhões de mortos na Europa, o holocausto, a queda de Hitler, o homem que ordenou a morte de milhões de judeus nos campos de concentração, as bombas atômicas, que causaram a morte instantânea de milhões de japoneses, e posteriormente destruiu a vida de outros.

italia, segunda guerra, nazismo, modernismoHouve também a Guerra Fria entre o pólo capitalista e o socialista, deixou no ar a ameaça de uma Guerra Nuclear que colocaria toda a humanidade em risco. Dá-se ai, o inicio de uma nova juventude, de uma nova forma de pensar e contestar. Essa oposição ao o que ocorre é feita através de palavras, pois antes os jovens só eram reprimidos, suas opiniões eram tidas como imaturas, no entanto, quando houve necessidade foram recrutados para a guerra e tratados como adultos.

Como bem explorado no livro As vanguardas artísticas, a produção artística do século XX está intimamente ligada às duas grandes guerras e aos valores e políticas que as motivaram. Os países centrais das guerras eram imperialistas e exploravam os países mais pobres. A guerra se deu entre as grandes potências econômicas porque todos queriam garantir mercados, matéria-prima, mão de obra barata e supremacia cultural. Tanto que os discursos propagados na época eram extremamente nacionalistas, como até hoje ainda são, e tentavam mostrar um país como especial diante de todo o mundo. Eram argumento assim que validavam a exploração de pessoas pobres em outros lugares do planeta, já que eram vistas como não cidadãos ou cidadãos de segunda classe.

No Brasil, após a Segunda Guerra Mundial, há o início de um novo período de sua história. Esse é marcado pelo desenvolvimento econômico, pela democratização política - notável na Constituição de 1946 - e pelo surgimento de novas tendências artísticas e culturais.

Boa parte das influências é europeia, mas para além disso, neste período histórico houve uma tentativa de dar contornos brasileiros à arte vinda do Velho Mundo. Na terceira fase, a arte no Brasil está melhor estruturada que na década de 1920 e já se relaciona melhor aos projetos de liberdade, igualdade e fraternidade da Idade Moderna.

São notáveis contribuintes às diversas áreas da:
Música: Alberto Nepomuceno, Heitor Villa-Lobos e Guiomar de Novais;
Escultura: Victor Brecheret;
Teatro: Benedito Ruy Barbosa, Nelson Rodrigues, Ariano Suassuna;
Arquitetura: Lúcio Costa, Oscar Niemayer;
Pintura: Anita Malfatti, Lasar Segall, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Candido Portinari, Rego Monteiro, Alfredo Volpi;


Brasil, Brazil, capital brasileira, Brasilia
Brasília, atualmente capital do Brasil. Cidade projetada por Oscar Niemayer.


Em 1955 Juscelino Kubitschek foi eleito presidente do Brasil e houve a construção da atual capital do Brasil, a construção de Brasília trouxe a industrialização ao Brasil. Neste período houve um imenso êxodo rural, as pessoas saíram do sertão em direção as cidades, muitos imigrantes nordestinos vieram em direção as grandes cidades em busca de vidas melhores. Criando um grande problema social no país. A década de 40 foi marcada pelo rádio, mas em 1950, Chateaubriand trouxe a televisão para o Brasil, fazendo com que os programas televisivos fizessem parte da vida dos brasileiros.

Caso seja necessário, você pode ler ainda sobre as características literárias da 3ª fase do modernismo no link.

Abaixo temos alguns dos autores mais famosos e trechos que obras que pode ajudar a compreender características suas.

Guimarães Rosa

Guimarães Rosa foi um grande estudioso, principalmente de línguas. Alguns estudiosos de sua obra afirmam que ele aprendeu sozinho o russo e o alemão. Essa paixão por línguas se reflete em quase todos os seus textos. Ele faleceu três dias depois de ter tomado posse na Academia Brasileira de Letras. Suas obras são caracterizadas pelo;

Regionalismo;
Universalismo;
Criação Linguística;

Assim como outros autores, Guimarães utiliza a elação do homem com a paisagem árida do sertão como matéria- prima de seus textos. Entretanto seu regionalismo apresenta um novo significado extrapola os limites da realidade brasileira, atingindo o plano universal. Como dizia o próprio autor, “o sertão é o mundo”. Tanto que podemos interpretá-lo de várias maneiras: como realidade geográfica, social, política e até mesmo numa dimensão metafísica. Outra característica fundamental de Guimarães Rosa é o seu poder inovador, sua habilidade em trabalhar e inventar palavras. Seus textos são repletos de neologismos (neo= novo, logismo vem delogos que significa palavra), ou seja, neologismos são palavras novas. Dizem que Guimarães sempre andava com um caderninho no bolso anotando palavras e expressões características do falar do povo brasileiro e a partir delas criava outras tantas.
São exemplos de seus famosos neologismos:
“desafogaréu” – “cigarrando” – “justinhamente”
“êssezinho”
– “ossoso”
– “retrovão”
“agarrante”
– “bisbrisa”
– “desfalar”


Outra característica é o seu poder de fusão dos gêneros literários. Guimarães Rosa não ficou preso a um único gênero. Segundo a crítica literária, ele e Clarice Lispector conseguiram desromancizar o romance, aproximando-o da poesia.





“Não, não sou romancista; sou um contista de contos críticos. Meus romances e ciclos de romances são na realidade contos nos quais se unem a ficção poética e a realidade. Sei que daí pode facilmente nascer um filho ilegítimo, mas justamente o autor deve ter um aparelho de controle: sua cabeça. Escrevo, e creio que este é o meu aparelho de controle: o idioma português, tal como usamos no Brasil; entretanto, no fundo, enquanto vou escrevendo, extraio de muitos outros idiomas. Disso resultam meus livros, escritos em um idioma próprio, meu, e pode-se deduzir daí que não me submeto à tirania da gramática e dos dicionários dos outros. A gramática e a chamada filologia, ciência linguística, foram inventadas pelos inimigos da poesia”.

Guimarães Rosa


Clarice Lispector

Clarice Lispector aprofunda-se num caminho já percorrido por outros autores no início do movimento modernista, a literatura de caráter introspectivo e intimista. Clarice sempre foi muito mística e supersticiosa, tanto que em 1976, representou o Brasil num Congresso de Bruxaria, na Colômbia.




Clarice Lispector dedicou-se à prosa de sondagem psicológica, à análise das angústias e crises existenciais, ou seja, dedicou-se à análise do mundo interior de suas personagens. Clarice rompeu com a linearidade da estrutura do romance, seus textos baseiam-se no fluxo de consciência (na expressão direta dos estados mentais), na memória. Tempo, espaço, começo, meio e fim deixaram de ser importantes. Segundo a própria autora “o importante é a repercussão do fato no indivíduo” e não o fato em si. Outra característica de Clarice Lispector é o freqüente uso do monólogo interior, técnica em que o narrador conversa consigo mesmo, como se estivesse divagando. 

É comum que haja uma grande identificação entre o público e os escritos da autora. Ela própria dizia se surpreender com isso, já que dizia se achar muito confusa. Proponha-se a ler o trecho a seguir do livro "A descoberta do mundo":

Tirinha de Cibele Santos, do blog Mulher de 30.


"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes, a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimento mais urgentes que se tem na vida."

Além deste livro, composto por várias prosas, entre os mais conhecidos estão: “Perto do Coração Selvagem”, “Laços de Família” e “A Hora da Estrela”, último livro publicado em vida. Para conhecer melhor a autora, assista a entrevista de menos de 40 minutos, na qual ela discorre sobre a tristeza, a infância, a maternidade e sua vida adulta. 



Nelson Rodriguez


O teatro entrou na vida de Nelson Rodrigues por acaso. Uma vez que se encontrava em dificuldades financeiras, achou no teatro uma possibilidade de sair da situação difícil em que estava. Assim, escreveu "A mulher sem pecado…", sua primeira peça. Segundo algumas fontes, Nelson tinha o romance como gênero literário predileto, e suas peças seguiram essa predileção, pois as mesmas são como romances em forma de texto teatral. Nelson é um originalíssimo realista. Não é à toa que foi considerado um novo Eça. De fato, a prosa de Nelson era realista e, tal como os realistas do século XIX, ele criticou a sociedade e suas instituições, sobretudo o casamento.


Sendo esteticamente realista em pleno Modernismo, Nelson não deixou de inovar tal como fizeram os modernos. O autor transpôs a tragédia grega para o sociedade carioca do início do século XX, e dessa transposição surgiu a "tragédia carioca", com as mesmas regras daquela, mas com um tom contemporâneo. A Rede Globo fez algumas adaptações para a televisão de parte da obra do autor. 



O erotismo está muito presente na obra de Nelson Rodrigues, o que lhe garante o título de realista. Nelson não hesitou em denunciar a sordidez da sociedade tal como o fez Eça de Queirós em suas obras. Esse erotismo realista de Nelson teve sua gênese em obras do século XIX, como "O Primo Basílio", e se desenvolveu grandemente na obra do autor pernambucano. Em síntese, Nelson foi um grande escritor, dramaturgo e cronista, e está imortalizado na literatura brasileira.

Ariano Suassuna

Em 1947, escreveu sua primeira peça, Uma mulher vestida de sol. Em 1948, sua peça Cantam as harpas de Sião (ou O desertor de Princesa) foi montada pelo Teatro do Estudante de Pernambuco. Os homens de barro foi montada no ano seguinte.

Em 1950, formou-se na Faculdade de Direito e recebeu o Prêmio Martins Pena pelo Auto de João da Cruz. Para curar-se de doença pulmonar, viu-se obrigado a mudar-se de novo para Taperoá. Lá escreveu e montou a peça Torturas de um coração em 1951. Em 1952, volta a residir em Recife.

Deste ano a 1956, dedicou-se à advocacia, sem abandonar, porém, a atividade teatral. São desta época O castigo da soberba (1953), O rico avarento (1954) e o Auto da Compadecida (1955), peça que o projetou em todo o país e que seria considerada, em 1962, por Sábato Magaldi “o texto mais popular do moderno teatro brasileiro”.

Em 1956, abandonou a advocacia para tornar-se professor de Estética na Universidade Federal de Pernambuco. No ano seguinte foi encenada a sua peça O casamento suspeitoso, em São Paulo, pela Cia. Sérgio Cardoso, e O santo e a porca; em 1958, foi encenada a sua peça O homem da vaca e o poder da fortuna; em 1959, A pena e a lei, premiada dez anos depois no Festival Latino-Americano de Teatro.

Em 1959, em companhia de Hermílio Borba Filho, fundou o Teatro Popular do Nordeste, que montou em seguida a Farsa da boa preguiça (1960) e A caseira e a Catarina (1962). No início dos anos 60, interrompeu sua bem sucedida carreira de dramaturgo para dedicar-se às aulas de Estética na UFPe.



Ele foi o criador do Movimento Armorial, que tem como projeto a confluência simultânea de todas as artes populares do Nordeste brasileiro, trabalhando a favor da dignidade humana. “Romance d’A Pedra do Reino” é considerado um dos melhores do país, e a peça “O Auto da Compadecida”, além de encenada diversas vezes por todo o mundo, já recebeu três adaptações cinematográficas. Dentre suas obras no período podemos citar;
Uma Mulher Vestida de Sol (1948);
Ode (1955);
Fernando e Isaura (1956);
Auto da Compadecida (1957);
O Casamento Suspeitoso (1961);

Podemos definir a 3° Fase do Modernismo como um período influenciado por mentes que tentavam mudar, mas ao mesmo tempo retomar certos traços, escrevendo com um tom mais sério, e procurando expressar suas origens pelo regionalismo e tornar a literatura mais brasileira, sair da monotonia e formar uma literatura brasileira, outra característica foi a sondagem psicológica, com o intuito de expressar o interior das mentes de seus personagens, como Clarice Lispector, uma obra exemplar é “Laços de Família”, a obra de Clarice Lispector traz a necessidade humana de se conhecer e entrar na mentes do outro à tona.

5 comentários:

  1. parabens! Achei tudo o que eu queria continue com o blog, o conteudo esta muito bem trabalhado.

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  2. como assim, os imigrantes nordestinos ao se mudarem para as cidades "grandes" causaram um grande conflito social? pelo amor de Deus....

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